Cravejada de diamantes a Quimera ascende no horizonte. Sua coroa dourada ofusca a visão daqueles que tentam olhar em sua face, mas é certo que em sua boca de leão há dentes afiados como navalha e uma língua de serpente que contém todos os tipos de veneno.
Seu corpo de gorila é coberto por placas de metal, reluzindo esplendor e mortalidade. Cada centímetro daquele corpo gigante está protegido de uma forma mortífera e insana. Entretanto o que mais despertava medo no coração daqueles que tiveram o desprazer de ver a Quimera eram seus braços.
Os pares de braços eram incontáveis e, nas mãos de cada um deles, traziam uma "dádiva" divina para completar o fim aquilo que chamamos de lar. Fome, ódio, preconceito, guerras, inveja, destruição, pobreza, queimadas, fronteiras, imposição cultural, desvalorização pessoa, ignorância, tudo aquilo que separa e destrói nossa comunidade.
Aqueles que viram a Quimera sabiam que cada vez mais o fim estava próximo. Essa Quimera, que traz "dádivas" divinas, entretanto, não foi enviada por nenhum deus, nenhum demônio, ou qualquer criatura imaginária do gênero, aqueles que viram-na sabiam que existiam homens sentados em seus ombros. Homens inescrupulosos que não sabem, ou sabem, o que fazem ao alimentar e aumentar os braços desse imenso monstro cravejado de diamantes.
Arthur Hudson, 20150728 2253