terça-feira, 18 de agosto de 2015

"Canto para minha morte"

    Raiava o dia silencioso, preciso, pontual e majestoso. O sol acariciava o solo de uma forma tão tenra que não sabia-se se eram bons amigos ou amantes dedicados. A Brisa marítima osculava-me a face e eu, como seu admirador, devolvia-lhe ósculos entoando doces melodias. As ondas orquestravam meu compasso, como o maestro comanda seus músicos. Logo mais, lindos pássaros pousaram ao meu lado e entoaram seu canto agudo, com certeza o mais belo coro existente. A simplicidade e calma reinavam em meus arredores, a natureza comungava meu corpo e eu o dela, estávamos nos tornando um. Isso era o que procurava, então, apenas me entreguei de corpo e alma a ela. Era o tão sonhado Nirvana? Quem saberia dizer?
   Foi assim, entretanto, que minha vida foi tirada de mim, em uma calma manhã de verão. Meu espírito foi sugado para algum lugar obscuro, minha alma se uniu ao grande plano e meu corpo foi devolvido à Terra e, tornando-se pó, alimentou aqueles que vieram depois de mim. Alguns podem estar pensando que esse é um "canto" para a minha morte, mas estaria eu realmente morto?

Arthur Hudson, 20150815 1546

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