domingo, 1 de fevereiro de 2015

Subconjuntos Musicais

    Não que eu condene algumas formas de fazer música da atualidade, já que, se puder dizer, desde o princípio a essência é basicamente a mesma. Pensemos que em tribos antigas havia já a composição de sons ritmados para as festas tribais, onde o batuque dos tambores marcavam o passo daqueles que dançavam em torno de uma fogueira.
    Podemos ver que, já nessa época tão longínqua, o homem usava a música como uma forma de dança, uma forma de produzir sons para mover o corpo, haviam entoações que poderiam passar-se por cantos, mas, por vezes, deveria ser apenas uma cantarolação, como a dos bêbados em festas. O que me leva a crer que as músicas atuais tocadas em baladas, onde o que conta realmente é o "batuque do tambores", não está tão longe assim do objetivo musical primevo. Por tal, os mais diversos ritmos "baladeiros" como funk, sertanejo, "forró" atual, dubstep, pagode, samba, assim como tantos ouros ritmos, são parte integral da cultura primitiva humana desde sua origem.
    Pergunto-me dessa reflexão se, também, o música clássica, tão ligada ao "cult", enquadrariam-se no mesmo subconjunto de músicas atuais, ditas por tantos, não "cults". Não consigo, entretanto, ao ouvir alguma música, dita clássica, ser remetido ao que temos hoje tocando nas rádios ou baladas. Dessa forma, considero-as em um outro subconjunto de músicas mesmo que não sejam, assim como as outras, apenas harmonia.
    Vejo que há uma mágica distinta criada pelo passar dos anos entre as músicas atuais e as antigas. Deduzo que assim como há uma "mágica" temporal no gosto de certas bebidas, as músicas vão tornando-se mais saborosas de se ouvir com o toque especial do tempo. Para tal resposta, em relação a atualidade, ainda teremos que esperar algumas décadas ou séculos para descobrir.
    O que dizer, ainda, das músicas que possuem junto a sua harmonia uma melodia que busca expressar mais que o desejo dançante? O que dizer de uma música de Chico Buarque ou Toquinho, por exemplo, que tem por objetivo nos levar ao êxtase da reflexão, música que quer passar uma mensagem ao ouvinte?
    Os tipos de mensagens são dos mais variados. Enquanto um canta os horrores da guerra, outro nos adverte dos perigos da ditadura e outro, indo de encontro a temática triste dos anteriores, jubila a vida e o amor, idealizando um mundo perfeito. Tornam-se assim propagadoras de ideologias e registros históricos de momentos cruciais de mudança, ou não, de nossa sociedade.
    Encontramos, assim, pelo menos com o que foi apresentado até agora, três distintos subconjuntos categoriais da música. No primeiro subconjunto temos a importância cultural primitiva, que nos leva a procura de sons para que mover nossos corpos, extravasar e libertar a "fera primeva" que está presa em nós desde o início dos tempos.
    No segundo, encontramos um estilo diferente, composto em sua maioria apenas pela harmonia, o que não impede de ter também alguma melodia. Trago aqui as músicas clássicas de grandes nomes como Beethoven, Mozart ou Vivaldi, mas não esqueço-me de outros estilos musicais que tão bom quanto esses o são, como o Jazz e o Blues.
    Ao meu ver, esse segundo grupo mexe mais com o sentimento ligado ao ato de ouvir. Esses querem nos passar uma sensação, algo que deve ser sentido n'alma, seja tristeza ou alegria, amor ou ódio, ao contrário das anteriores que apenas buscam o movimento do corpo. O Ballet, forma de arte que prima pelo movimento do corpo em sintonia com alguma música, tem por seus principais guias grandes clássicos antigos. Podem-se então perguntar o que difere uma música clássica de um batidão de funk no sentido de mover o corpo, já que no Ballet a função é a mesma. Digo-vos que está no sentido da mensagem e na forma que é feito, pois no Ballet, assim como na composição da música clássica, o objetivo é passar algo mais como um sentimento, enquanto no batidão há apenas o sentido, já comentado antes, de mover-se.
    O terceiro subconjunto e último a ser comentado nesse texto, são as músicas que representam mais que harmonia, trazendo em sua melodia a propagação de ideias, fatos, críticas das mais diversas. Particularmente essas são as quais prefiro, junto as do segundo subconjunto. Há uma incrível habilidade em pessoas que conseguem juntar esses fatores e conseguem fazer sucesso, propagando aquilo em que acreditam.
    Esse último subconjunto é o mais complexo dos três, é uma mistura e mais. Essas músicas podem nos fazer chorar ou sorrir, podem mudar completamente a forma como vemos a vida, podem incrementar nosso conhecimento do todo e da sociedade que nos precedeu. Uma das formas mais interessantes, mas que é tão deixada de lado por muitos ouvintes, ou quando são ouvidas, os ouvintes não estão preocupados em ouvir/entender sua mensagem.
    A diferenciação da música nesses três subconjuntos não é algo oficial (ou talvez seja, não cheguei a fazer alguma pesquisa), nasceu apenas de um devaneio sobre a música e a cultura. Quero mostrar que em todos os níveis sociais e culturais está presente o som harmonioso e melódico.
    Algumas pessoas julgam que quem está em um determinado subconjunto, ou tende a ele, tem menos cultura que elas que estão inseridas em outro subconjunto. Entretanto, cada um deles é uma forma de expressão cultural, sendo o primeiro subconjunto o mais cultural deles, já que acompanha a humanidade desde a era das cavernas, mas não devemos assumir que é o que representa um maior nível de "cultura", tão menos, um menor.
    Podemos perceber do cotidiano que cada qual possui sua própria forma de apreciar a música, seja para dançar, sentir ou refletir, e é isso que faz dela uma forma tão popular de expressão. Além disso, a música é igualitária, está ai para ser ouvida por quem quer que seja, independente de cor de pele, nível de educação ou condição social.
    No fim a música é o que ela é, uma forma de arte que caminha com nossa espécie pelos séculos e séculos.

    Arthur Hudson, 31/12/2014 05:07

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