Apuã, filho de Tupã, o deus do trovão, herdou de seu pai sua divindade e a capacidade de manipular os raios e trovões. Contudo ele desistiu de sua imortalidade, junto a Iraci, para tornarem-se índios na floresta pessoense. Apuã era um índio forte, 100 homens não conseguiriam fazer o que ele faz, os músculos salientes e rígidos faziam dele o mais atrativo índio da região, além de sua sabedoria demasiadamente grande para caber em seu cérebro, se fosse apenas humano.
Ele era casado com Iraci, a filha mais bela de Rudá, o deus do amor. O longo cabelo da índia cingia-lhe a cintura e adornava os seios nus, ele era tão liso quanto a seda e de um negro tão vivo e radiante que a própria luz parecia fugir-lhe. Seus olhos lembravam um feroz jaguar, conseguiam enxergar além da aparência e além do horizonte. Seu corpo lembra um cantil de água, fino em cima e redondo em baixo, um corpo mais lindo que o de uma modelo, magro para ser rápido, porém forte para lutar quando necessário.
Apuã e Iraci entretanto viviam uma vida de paz isolados em uma oca no meio da mata atlântica, ser um deus entre os homens não era algo que eles queriam, desejavam apenas a beleza de uma vida humana sem complicações.
A índia Iraci guardava em seu ventre o maior símbolo da vida e união dos dois, quando a pior coisa que podia lhes acontecer tornou-se realidade. Vindos do outro lado do oceano, colonizadores romanos chegaram as terras virgens do Brasil, especificamente onde hoje é a cidade João Pessoa. Isso contudo foi antes do descobrimento oficial das Américas, quando o catolicismo ainda procurava se firmar como maior religião na Europa.
Esses colonizadores traziam envolto em seus corpos o metal que protegia, em sua mão a lâmina que destruía e em seu peito, marcado a fogo, a cruz vermelha que traria a salvação. Eles faziam parte de uma sociedade secreta chamada Extinctione, seu objetivo era único e claro: exterminar qualquer divindade que residia no plano terrestre. Para isso ele contavam com a força de Javé, o verdadeiro e único deus, segundo os participantes da Extinctione, e maior de todos os deuses da guerra.
Iraci estava em seu oitavo mês de gestação quando eles chegaram, sem anunciação, silenciosos como a própria morte. A noite era de lua nova, o que tornava tudo mais negro e propício a um assassinato. Ao todo haviam 20 homens e mulheres, que cercaram a oca de Apuã e Iraci. Dois deles entraram na oca, empunhando em suas mãos direitas uma espada de teor flamejante, uma versão simplificada daquelas usadas pelos arcanjos.
Teria sido mais sábio para os dois índios se eles nunca tivessem pisado nas terras humanas, ao invés de se manterem distantes no plano divino. Inicialmente Apuã pensou que seria uma simples batalha afinal quando os dois emissários divinos mal haviam entrado na oca, ele os lançou para fora, cortados ao meio, pelo tacape do semideus indígena. Os atacantes poderiam ser silenciosos, mas não poderiam enganar os dois índios em sua própria casa.
Apuã e Iraci saíram rapidamente da oca, mas pararam abruptamente à entrada.
- IRACI! Volte agora para dentro e se proteja!*
- Iraci não vai abandonar Apuã.*
- Apuã sabe se proteger, Iraci deve se proteger agora.*
Ele era casado com Iraci, a filha mais bela de Rudá, o deus do amor. O longo cabelo da índia cingia-lhe a cintura e adornava os seios nus, ele era tão liso quanto a seda e de um negro tão vivo e radiante que a própria luz parecia fugir-lhe. Seus olhos lembravam um feroz jaguar, conseguiam enxergar além da aparência e além do horizonte. Seu corpo lembra um cantil de água, fino em cima e redondo em baixo, um corpo mais lindo que o de uma modelo, magro para ser rápido, porém forte para lutar quando necessário.
Apuã e Iraci entretanto viviam uma vida de paz isolados em uma oca no meio da mata atlântica, ser um deus entre os homens não era algo que eles queriam, desejavam apenas a beleza de uma vida humana sem complicações.
A índia Iraci guardava em seu ventre o maior símbolo da vida e união dos dois, quando a pior coisa que podia lhes acontecer tornou-se realidade. Vindos do outro lado do oceano, colonizadores romanos chegaram as terras virgens do Brasil, especificamente onde hoje é a cidade João Pessoa. Isso contudo foi antes do descobrimento oficial das Américas, quando o catolicismo ainda procurava se firmar como maior religião na Europa.
Esses colonizadores traziam envolto em seus corpos o metal que protegia, em sua mão a lâmina que destruía e em seu peito, marcado a fogo, a cruz vermelha que traria a salvação. Eles faziam parte de uma sociedade secreta chamada Extinctione, seu objetivo era único e claro: exterminar qualquer divindade que residia no plano terrestre. Para isso ele contavam com a força de Javé, o verdadeiro e único deus, segundo os participantes da Extinctione, e maior de todos os deuses da guerra.
Iraci estava em seu oitavo mês de gestação quando eles chegaram, sem anunciação, silenciosos como a própria morte. A noite era de lua nova, o que tornava tudo mais negro e propício a um assassinato. Ao todo haviam 20 homens e mulheres, que cercaram a oca de Apuã e Iraci. Dois deles entraram na oca, empunhando em suas mãos direitas uma espada de teor flamejante, uma versão simplificada daquelas usadas pelos arcanjos.
Teria sido mais sábio para os dois índios se eles nunca tivessem pisado nas terras humanas, ao invés de se manterem distantes no plano divino. Inicialmente Apuã pensou que seria uma simples batalha afinal quando os dois emissários divinos mal haviam entrado na oca, ele os lançou para fora, cortados ao meio, pelo tacape do semideus indígena. Os atacantes poderiam ser silenciosos, mas não poderiam enganar os dois índios em sua própria casa.
Apuã e Iraci saíram rapidamente da oca, mas pararam abruptamente à entrada.
- IRACI! Volte agora para dentro e se proteja!*
- Iraci não vai abandonar Apuã.*
- Apuã sabe se proteger, Iraci deve se proteger agora.*
*traduzido do Tupi
O medo de Iraci a fez chorar, suas poucas lágrimas tornaram-se, ao cair, uma enchente em torno dela mesma formando uma bolha protetora e uma fraca luz rosa emanou de seu corpo. Seus cabelos dançavam para cima e para baixo flutuando na água enquanto a índia se mantinha ajoelhada de olhos fechados e mãos cerradas sobre os joelhos enquanto a superfície externa da bolha cristalizava-se em um escudo, até então impenetrável.
- O espécime é agressivo e poderoso irmãos e irmãs! Teremos que usar das bênçãos de nosso senhor. - Falou calmamente o capitão dos Extinctione, ignorando seus dois soldados mortos.
As cruzes marcadas no tronco de cada um deles brilhou em vermelho sangue e as bênçãos de deus caíram sobre eles. Em suas costas surgiram asas negras, como as do urubu e suas armaduras reconstruiram-se, tornando-se uma com o corpo de cada exterminador. As espadas, antes apenas uma versão simplificada das de um querubim, converteram-se em espadas flamejantes reais, com um fogo tão puro e ardente que sua cor variava de branco para azul.
Entendendo o tamanho da ameaça que aqueles forasteiros agora representavam, Apuã acertou o chão com seu tacape, com tamanha força que uma pequena cratera se formou e desse impacto uma onda de raios surgiu e se espalhou rapidamente em diração a cada ser alado. Eles, entretanto, levantaram voo no mesmo instante e com um forte bater de asas criaram um pequeno ciclone centrado na cabana.
A oca tornou-se nada ante tamanho poder. Apuã usava sua habilidade com a eletricidade para criar para si e a mulher um campo magnético entre eles e a terra forte o suficiente para os manter em terra firme. Seis dos exterminadores desceram em voo rasante para atacar Apuã, enquanto o resto concentrava-se em atacar a barreira protetora em torno de Iraci.
Apuã vendo que o objetivo principal deles era sua mulher e filho usou de toda sua habilidade e força para chegar à Iraci. Ele lutou bravamente para protegê-la, seu tacape era tão rápido quanto o raio, sua força tão estrondosa quanto o trovão, mas ele tinha a resistência limitada pela sua condição humana, e não tardou para que Apuã começasse a fraquejar.
Os Extinctione, entretanto, estavam cobertos pelas bênçãos de Javé, eram máquinas de matar, nunca cansariam, continuavam a atacar esperando por apenas uma brecha. Apuã tinha conseguido exterminar mais cinco emissários, além dos dois primeiros, mas foi quando ia dar o golpe certeiro no nono inimigo que sua mão falhou, seu braço pesou um pouco mais, e a espada flamejante arrancou-lhe o braço, jogando o tacape longe.
A dor foi inimaginável, o fogo fez a carne cicatrizar com queimaduras, a lâmina cortou o osso como se fosse a coisa mais macia existente. Apuã gritou e sua vista escureceu por um instante, o suficiente para que outro atacante levasse embora seu outro braço. Dessa vez o índio não gritou, ele apenas caiu sobre si, desmaiado.
Iraci ouviu o grito do marido e abriu os olhos, a cena que se passou diante seus olhos era horrível, Apuã estava caído bem a sua frente, sem os braços. Estaria ele morto? A pobre índia fraquejou, em outra ocasião ela teria lutado ferozmente ao lado de Apuã, mas ao engravidar tudo que tinha de força de ataque nela tornou-se defesa e proteção, mas não era o suficiente, ela tremeu, o escudo tremeu, e a lâmina quente cortou-lhe a cabeça do corpo.
A bolha se desfez lentamente, caindo aos poucos, a cabeça foi a primeira a sair da proteção e caiu para o lado, rolou um pouco e parou, o corpo demorou um pouco mais, e ao perder seu invólucro caiu para o outro lado.
Uma das Extinctione cravou sua espada em seu ventre e o abriu, em um movimento de baixo para cima, a criança prematura escorregou pela tripas de sua mãe, era um menino. Ele chorou pela primeira e última vez, antes de ser esmagado sem piedade pelo pé de ferro da exterminadora em questão.
Apuã ainda não havia sido morto, e começou a recobrar lentamente a consciência, ao abrir os olhos viu sua mulher e filhos brutalmente mortos. Ele tentou gritar, não conseguiu, tentou se mexer, o corpo não obedecia. A única coisa que conseguiu fazer foi chorar, não de tristeza, mas de raiva por tudo que havia acontecido. Sua ira tornou-se puro calor dentro de si, as lágrimas que caiam evaporavam antes mesmo de chegar ao chão.
O vapor do choro de Apuã cobriu toda a mata ao redor, tornou-se uma névoa tão densa que nem mesmo o brilho das espadas de fogo conseguiam iluminar um palmo a frente. O semideus indígena prometeu a si mesmo que iria se vingar de todos os Extinctione que pisassem naquelas terras novamente.
A névoa, contudo, não conseguiu o salvar e ele foi morto da mesma forma que os outros membros de sua família. Sua maldição, entretanto, ainda se perpetua pelas gerações. Quando algum descendente de Extinctione pisa em solo brasileiro, mais precisamente na cidade de João Pessoa, o espírito de Apuã acorda. Ele espera a noite chegar e cobre a cidade com sua névoa, então vaga por ela até encontrar aquele que deve ser exterminado e, assim, some com ele na névoa, levando-o ao limbo do mundo.
Surge assim a lenda da Névoa Pessoense.
Arthur Hudson, 17/01/2015 11:19
- O espécime é agressivo e poderoso irmãos e irmãs! Teremos que usar das bênçãos de nosso senhor. - Falou calmamente o capitão dos Extinctione, ignorando seus dois soldados mortos.
As cruzes marcadas no tronco de cada um deles brilhou em vermelho sangue e as bênçãos de deus caíram sobre eles. Em suas costas surgiram asas negras, como as do urubu e suas armaduras reconstruiram-se, tornando-se uma com o corpo de cada exterminador. As espadas, antes apenas uma versão simplificada das de um querubim, converteram-se em espadas flamejantes reais, com um fogo tão puro e ardente que sua cor variava de branco para azul.
Entendendo o tamanho da ameaça que aqueles forasteiros agora representavam, Apuã acertou o chão com seu tacape, com tamanha força que uma pequena cratera se formou e desse impacto uma onda de raios surgiu e se espalhou rapidamente em diração a cada ser alado. Eles, entretanto, levantaram voo no mesmo instante e com um forte bater de asas criaram um pequeno ciclone centrado na cabana.
A oca tornou-se nada ante tamanho poder. Apuã usava sua habilidade com a eletricidade para criar para si e a mulher um campo magnético entre eles e a terra forte o suficiente para os manter em terra firme. Seis dos exterminadores desceram em voo rasante para atacar Apuã, enquanto o resto concentrava-se em atacar a barreira protetora em torno de Iraci.
Apuã vendo que o objetivo principal deles era sua mulher e filho usou de toda sua habilidade e força para chegar à Iraci. Ele lutou bravamente para protegê-la, seu tacape era tão rápido quanto o raio, sua força tão estrondosa quanto o trovão, mas ele tinha a resistência limitada pela sua condição humana, e não tardou para que Apuã começasse a fraquejar.
Os Extinctione, entretanto, estavam cobertos pelas bênçãos de Javé, eram máquinas de matar, nunca cansariam, continuavam a atacar esperando por apenas uma brecha. Apuã tinha conseguido exterminar mais cinco emissários, além dos dois primeiros, mas foi quando ia dar o golpe certeiro no nono inimigo que sua mão falhou, seu braço pesou um pouco mais, e a espada flamejante arrancou-lhe o braço, jogando o tacape longe.
A dor foi inimaginável, o fogo fez a carne cicatrizar com queimaduras, a lâmina cortou o osso como se fosse a coisa mais macia existente. Apuã gritou e sua vista escureceu por um instante, o suficiente para que outro atacante levasse embora seu outro braço. Dessa vez o índio não gritou, ele apenas caiu sobre si, desmaiado.
Iraci ouviu o grito do marido e abriu os olhos, a cena que se passou diante seus olhos era horrível, Apuã estava caído bem a sua frente, sem os braços. Estaria ele morto? A pobre índia fraquejou, em outra ocasião ela teria lutado ferozmente ao lado de Apuã, mas ao engravidar tudo que tinha de força de ataque nela tornou-se defesa e proteção, mas não era o suficiente, ela tremeu, o escudo tremeu, e a lâmina quente cortou-lhe a cabeça do corpo.
A bolha se desfez lentamente, caindo aos poucos, a cabeça foi a primeira a sair da proteção e caiu para o lado, rolou um pouco e parou, o corpo demorou um pouco mais, e ao perder seu invólucro caiu para o outro lado.
Uma das Extinctione cravou sua espada em seu ventre e o abriu, em um movimento de baixo para cima, a criança prematura escorregou pela tripas de sua mãe, era um menino. Ele chorou pela primeira e última vez, antes de ser esmagado sem piedade pelo pé de ferro da exterminadora em questão.
Apuã ainda não havia sido morto, e começou a recobrar lentamente a consciência, ao abrir os olhos viu sua mulher e filhos brutalmente mortos. Ele tentou gritar, não conseguiu, tentou se mexer, o corpo não obedecia. A única coisa que conseguiu fazer foi chorar, não de tristeza, mas de raiva por tudo que havia acontecido. Sua ira tornou-se puro calor dentro de si, as lágrimas que caiam evaporavam antes mesmo de chegar ao chão.
O vapor do choro de Apuã cobriu toda a mata ao redor, tornou-se uma névoa tão densa que nem mesmo o brilho das espadas de fogo conseguiam iluminar um palmo a frente. O semideus indígena prometeu a si mesmo que iria se vingar de todos os Extinctione que pisassem naquelas terras novamente.
A névoa, contudo, não conseguiu o salvar e ele foi morto da mesma forma que os outros membros de sua família. Sua maldição, entretanto, ainda se perpetua pelas gerações. Quando algum descendente de Extinctione pisa em solo brasileiro, mais precisamente na cidade de João Pessoa, o espírito de Apuã acorda. Ele espera a noite chegar e cobre a cidade com sua névoa, então vaga por ela até encontrar aquele que deve ser exterminado e, assim, some com ele na névoa, levando-o ao limbo do mundo.
Surge assim a lenda da Névoa Pessoense.
Arthur Hudson, 17/01/2015 11:19
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