quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O Nascimento do Universo

    Luce, a portadora da Luz, sentada em seu balanço cósmico, entoava um doce cântico universal, do ar que era expelido de sua boca cantante surgiam grandes e densas quantidades de energia em forma de luz e calor numa fosca nuvem, que sumiam indo para lugar algum. Não muito longe dali, seu irmão Materíus, o portador da Matéria, corria alegremente, sem um lugar específico à ir, apenas corria e de seus pés surgiam diversos e pequenos aglomerados com infinitas rochas grotescas, sem vida, inertes na imensidão.

    Luce: Materíus meu amado irmão, venha à mim, sua amada irmã - chamou, voltando em seguida a cantarolar.
    Materíus: O que desejas minha irmã? - correu ele em sua direção.
    Antes, porém, que pudessem trocar uma palavra, a nuvem que saia da boca de Luce encontrou os grotescos aglomerados de rocha vindos dos pés de Materíus. Ali, então, com uma graça inimaginável a uma mente humana, conceberam, Luce e Materíus, inconscientemente diversos filhos, cada qual diferente, alguns até que eram bem parecidos uns com os outros, mas, definitivamente, nenhum era igual.
    Algumas rochas uniram-se a luz e ao calor, eles eram uma fonte de pura energia, tornaram-se lindas esferas que piscavam em todas as cores, os irmãos, agora pais, nomearam o grupo de rochas luminosas e quentes de Stella.
    Outro grupo de rochas se uniu apenas ao calor, deixando totalmente a luz passarem por eles, eles não eram iluminados por si mesmos, mas quando estavam perto de uma Stella poderiam vibrar nos mais lindos e diferentes tons, se estivessem muito perto de uma delas poderiam ser verdes, se estivessem mais distantes poderiam ser azuis, ou mais de uma cor num mesmo corpo, a esses corpos que precisavam ser iluminados para ganharem cor, Luce e Materíus deram o nome de Planeta.
    Lindo foi observar o casamento de Stella e Planeta, suas duas filhas formavam um par perfeito, em sintonia uma com a outra, se Stella morresse era certo que Planeta também morreria. Depois de unirem-se uma não queria mais existir sem a outra.
    Dessa união surgiram outras pequenas rochas, menores que sua mãe Planeta, que teimavam em ficar próximos a elas. Mesmo se levados a outra dimensão, voltavam para o lado da Planeta, afinal Stella era muito quente e perigosa para que alguém conseguisse ficar perto dela por muito tempo. Vendo que não iriam se livrar dos baixinhos Luce e Materíus resolveram permitir que eles permanecessem ao lado de Planeta, nomearam esses pequenos corpos de Satellite.
    Outros rochedos não tiveram a sorte de se tornarem belos aos olhos dos pais e foram deixados de lado, eram rochas frias, duras e, normalmente, de cor cinza, que mais pareciam monstros vindos de alguma outra dimensão. Eles os nomearam de Cometas e coisas do tipo, tudo isso que passa lindamente por nossa atmosfera, Luce e Materíus não tinham o movimento ainda para poder ver isso, tudo era estático.
    Enquanto organizavam seus filhos e filhas da melhor forma, fazendo cada Stella unir-se a uma ou mais Planeta, eles perceberam um corpo singular, sem luz, completamente escuro. Perceberam, também, que haviam pequenos tubos conectando dois ou mais desses negros corpos a outros corpos, esses eram feitas de pura luz basicamente, não eram como uma Stella, mas tinham sua beleza. Pegaram então um pequeno rochedo, daqueles que foram deixados de lado por sua falta de beleza, e jogaram dentro de um dos brancos corpos. O Cometa ficou parado, apenas posicionado acima como se nenhuma força o puxasse. Fizeram o mesmo teste no negro corpo agora, o Cometa no instante sumiu, voltando a ressurgir quase que imediatamente no outro corpo branco. O Cometa, entretanto, não era mais um Cometa, algo havia mudado nele, tornou-se algo mais belo, algo que Luce e Materíus queriam que fosse único. Entendendo como esses seus filhos eram fortemente unidos, irmão iguais, porém distintos, chamaram-nos de Caminni-Gemina.
    Eles passaram um tempo incalculável, para padrões de nosso universo, brincando e modelando aquilo que eles chamariam de Infinitus. Cada elemento estava lindamente posicionado em seu lugar, tudo tinha luz, tinha sombras e tinha matéria. Os irmãos contemplaram seus filhos com orgulho, e ficaram felizes pelo que tinham feito.
    Seus pais, Tempus e Kosmos, finalmente chegaram em casa, e ao encontrar os filhos tão entretidos e quietos, o que era raro, resolveram ver o que estavam aprontando. Ao entrar no quarto deles encontraram uma maravilha universal, algo que eles nunca pensariam em criar, mesmo com toda a sua sabedoria. Viram seus incontáveis netos e netas, todos esteticamente posicionados em espirais, círculos e ovais.
    Tempus: Vocês andaram aprontando bastante coisa enquanto estivemos fora, hem?
   Kosmos: Então vocês finalmente descobriram um ao outro e o que poderiam fazer, que ótimo. Esperamos muito por esse dia.
    Luce: Pais! Vocês já sabiam que iriámos fazer isso?
    Tempus: O Kosmos pode não entender muito do que está por vir, mas eu com certeza vejo além.
    Kosmos: Meus filhos, vós permitíeis aos seus velhos pais adicionar alguns elementos novos ao vosso Infinutus?
    Com o consentimento dos filhos, Kosmos usou suas numerosas mãos mágicas para criar uma bolha, na qual havia uma malha fluída contendo o Infinitus. Os conjuntos de Stella e Planeta e Satellite e tudo o mais, começaram a convergir concentricamente dentro dela. A essa bolha chamaram de Sideralis. Era incrível vislumbrar a criação daquilo, o que era belo estava ficando perfeito.
    Chegou a vez do Tempus, ele soprou levemente em Sideralis, fazendo com um pequeno pedaço de sua alma inundasse-o. Inicialmente devagar, todo aquele conjunto de corpos contidos em Sideralis começou a se mover, acelerando lentamente até conseguir uma velocidade constante. Esse foi o toque final, a pincelada mestre daquela família. Os avôs tornaram-se também pais e os pais tornaram-se irmãos daquele novo ser de nome Universum.
    Os quatro ficaram ali parados contemplando tamanha e imensurável beleza, o Universum estava lapidado pelos seus pais/avôs Tempus e Kosmos e por seus pais/irmãos Luce e Materíus.
    Tempus: Agora nós iremos fazer alguns biscoitinhos, querem nos acompanhar crianças?
    Luce/Materíus: Com certeza!
    Luce: Pai, tenho apenas uma dúvida. O Universum vai ter fim?
  Tempus: Infelizmente sim minha filha, o pedaço de minh'alma que dá vida a ele não tardará a querer voltar para mim, e quando esse tempo chegar tudo que há nele parará e será consumido pelo Sideralis, nesse momento o Universum deixará de existir.
    Materíus: Fico triste em saber disso.
   Kosmos: Não fique meu filho, podemos sempre criar outros Universum, inclusive podemos fazer outro ainda hoje se vocês quiserem. Já aprenderam a controlar seus dons?
   Luce: Ainda não muito bem, mas com um pouquinho mais de treino ficaremos tão bons quanto vocês.
   Tempus: Gosto de ver que seu dom é como o meu Luce, um sopro de vida, enquanto seu irmão passa seu dom pelo "tato" como o Kosmus, uma forma concreta de coisas. Sem delongas, vamos agora fazer nossos biscoitos!
   
    Arthur Hudson, 04/01/2015 09:42

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