terça-feira, 18 de agosto de 2015

"Canto para minha morte"

    Raiava o dia silencioso, preciso, pontual e majestoso. O sol acariciava o solo de uma forma tão tenra que não sabia-se se eram bons amigos ou amantes dedicados. A Brisa marítima osculava-me a face e eu, como seu admirador, devolvia-lhe ósculos entoando doces melodias. As ondas orquestravam meu compasso, como o maestro comanda seus músicos. Logo mais, lindos pássaros pousaram ao meu lado e entoaram seu canto agudo, com certeza o mais belo coro existente. A simplicidade e calma reinavam em meus arredores, a natureza comungava meu corpo e eu o dela, estávamos nos tornando um. Isso era o que procurava, então, apenas me entreguei de corpo e alma a ela. Era o tão sonhado Nirvana? Quem saberia dizer?
   Foi assim, entretanto, que minha vida foi tirada de mim, em uma calma manhã de verão. Meu espírito foi sugado para algum lugar obscuro, minha alma se uniu ao grande plano e meu corpo foi devolvido à Terra e, tornando-se pó, alimentou aqueles que vieram depois de mim. Alguns podem estar pensando que esse é um "canto" para a minha morte, mas estaria eu realmente morto?

Arthur Hudson, 20150815 1546

quinta-feira, 30 de julho de 2015

A 'divina' Quimera

    Cravejada de diamantes a Quimera ascende no horizonte. Sua coroa dourada ofusca a visão daqueles que tentam olhar em sua face, mas é certo que em sua boca de leão há dentes afiados como navalha e uma língua de serpente que contém todos os tipos de veneno.
    Seu corpo de gorila é coberto por placas de metal, reluzindo esplendor e mortalidade. Cada centímetro daquele corpo gigante está protegido de uma forma mortífera e insana. Entretanto o que mais despertava medo no coração daqueles que tiveram o desprazer de ver a Quimera eram seus braços.
    Os pares de braços eram incontáveis e, nas mãos de cada um deles,  traziam uma "dádiva" divina para completar o fim aquilo que chamamos de lar. Fome, ódio, preconceito, guerras, inveja, destruição, pobreza, queimadas, fronteiras, imposição cultural, desvalorização pessoa, ignorância, tudo aquilo que separa e destrói nossa comunidade.
    Aqueles que viram a Quimera sabiam que cada vez mais o fim estava próximo. Essa Quimera, que traz "dádivas" divinas, entretanto, não foi enviada por nenhum deus, nenhum demônio, ou qualquer criatura imaginária do gênero, aqueles que viram-na sabiam que existiam homens sentados em seus ombros. Homens inescrupulosos que não sabem, ou sabem, o que fazem ao alimentar e aumentar os braços desse imenso monstro cravejado de diamantes.

Arthur Hudson, 20150728 2253

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Subconjuntos Musicais

    Não que eu condene algumas formas de fazer música da atualidade, já que, se puder dizer, desde o princípio a essência é basicamente a mesma. Pensemos que em tribos antigas havia já a composição de sons ritmados para as festas tribais, onde o batuque dos tambores marcavam o passo daqueles que dançavam em torno de uma fogueira.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Névoa Pessoense

    Apuã, filho de Tupã, o deus do trovão, herdou de seu pai sua divindade e a capacidade de manipular os raios e trovões. Contudo ele desistiu de sua imortalidade, junto a Iraci, para tornarem-se índios na floresta pessoense. Apuã era um índio forte, 100 homens não conseguiriam fazer o que ele faz, os músculos salientes e rígidos faziam dele o mais atrativo índio da região, além de sua sabedoria demasiadamente grande para caber em seu cérebro, se fosse apenas humano.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O meio ouvir

    Há um tempo fiz um texto chamado Subconjuntos Musicais, nele dividi a música em três subconjuntos não nomeados. Num deles encontram-se as músicas que procuram trazer uma mensagem para quem houve, aquelas que fazem parte da história.
    Hoje (03/01/2015), ouvi a música "O Resto do Mundo" do Gabriel, O Pensador, onde há um trecho que diz "o meu sonho é morar numa favela, eu queria morar numa favela". Lembro que há alguns anos enquanto ouvia essa mesma música em casa de minha mãe, ela questionou-me enquanto rodava

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Machado de Assis, A Igreja do Diabo

 Recomendado para uma leitura breve e com bom teor de reflexão sobre a variação constante que existe na vida dos seres humanos, em seus costumes e vontades.
 Download: Machado de Assis, A Igreja do Diabo.

O Nascimento do Universo

    Luce, a portadora da Luz, sentada em seu balanço cósmico, entoava um doce cântico universal, do ar que era expelido de sua boca cantante surgiam grandes e densas quantidades de energia em forma de luz e calor numa fosca nuvem, que sumiam indo para lugar algum. Não muito longe dali, seu irmão Materíus, o portador da Matéria, corria alegremente, sem um lugar específico à ir, apenas corria e de seus pés surgiam diversos e pequenos aglomerados com infinitas rochas grotescas, sem vida, inertes na imensidão.

domingo, 4 de janeiro de 2015

O Caderno

 Quem em sã consciência, nos dias de hoje, se questionado: "Você sabe para que serve um caderno?", responderia: "Não faço ideia!". Suponhemos, entretanto, que essa pessoa exista, e, assim como um inocente bebê, não faça ideia de como um caderno funcione.
Pensemos na experiência mágica que seria para esse ser encontrar um caderno em cima de um móvel de sua casa e ver que, ali, há duas ou três páginas escritas com o começo do que parece ser uma